AMANHÃ
Começa assim: garoa fina, mãos e pés gelados. Sob o toldo daquele boteco ali, carrego os ingressos para a última sessão no bolso esquerdo. Amanhã. O dia que conhecerei o homem bonito - dedos longos e cabelo em desalinho - que jamais saberei se amei.
Antes de dormir lhe invento um nome, querido. Quando eu lhe conhecer será o seu nome que ofuscará o de Vitor, relegado ao posto de segunda melhor trepada, de homem da minha vida antes de você. Amanhã. Enquanto maldigo Laura e seu atraso.
Há de chover a noite inteira. Porque você gosta de caminhar pela cidade deserta e puxar assunto com alguém, pedir informações e cigarros. Aproveita para mentir sobre pessoas e eventos, descrever saudoso a cidade do interior que nunca abandonou aos vinte anos.
Direi: "Há qualquer coisa em sua vaidade que não me convence". Ele (como numa rubrica): traga, desprende a fumaça com um riso cínico. Não explica a piada. Às vezes me fala de empatia, o pulha, que encara Jonas com um desdém indisfarçado, justificado com um neutro "ele fala alto demais".
Caberá tanto ódio por nunca saber dizer. Por desperdiçar tardes inteiras a seu lado e ainda desejar vê-lo. Mas amor. Estarei com ele no agora e para sempre e só. Amor é outra coisa. Nunca saberei, embora já tenha seus olhos gravados com doçura nos meus, nesta que será minha última noite sem você. Porque amanhã
Patricia Misson
6 Comments:
hunf
O Fabuloso Mundinho de Poptricia Misson, Hunf....
Mas escreve bonito essa menina,
Deus conserve.
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Cadê o que eu mandei?
Patty...
Patty...
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